Segunda, 21 de maio de 2012.
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Herpes tem controle, procure seu Dentista
Herpes é uma das infecções de origem viral mais comum na espécie humana, que apresenta manifestações na boca e região peribucal. Trata-se de uma patologia infecto-contagiosa causada pelo vírus herpes simplex (VHS), também denominado Herpesvirus hominis.
Esses vírus têm a característica de promover uma infecção primária no hospedeiro suscetível o que resulta em produção de anticorpos neutralizantes por parte deste, em seguida entram num período de latência por tempo indeterminado, porém, sob situações favoráveis podem ser reativados e produzir lesões recorrentes.
Relativamente ao Herpes, a infecção primária geralmente acontece na primeira infância, ao redor dos 2 ou 3 anos de idade, eventualmente no adolescente ou adulto jovem, uma vez que nestes períodos da vida, várias oportunidades surgem para que ocorra a infecção. As gotículas de saliva contaminada constituem-se num veículo eficiente para a transmissão, além do eventual contato com as secreções das lesões de pessoas que apresentam clinicamente a doença.
Uma vez estabelecida a infecção, ocorre a ativação do sistema imunológico e dependendo da competência deste haverá ou não a expressão clínica da doença. Na maioria das vezes (99%) ocorre a formação de anticorpos neutralizantes e a doença não se expressa clinicamente ou, quando ocorre, a faz de forma sub-clínica e inespecífica. No entanto, uma pequena parcela desses indivíduos infectados, menos de 1%, irá apresentar manifestações clínicas como conseqüência desta primo-infecção. Esta resposta pode ocorrer em várias partes do corpo, sob diversas formas clínicas, dentre elas: eczema herpético, panarício herpético, encefalite herpética, gengivo-estomatite herpética etc.
A gengivo-estomatite herpética primária tem particular importância para o Cirurgião-Dentista, já que os tecidos bucais são envolvidos, após um período de incubação de uma semana em média. O quadro clínico inicia-se por alteração do quadro geral, com a ocorrência de febre, mal-estar geral, dores articulares, irritabilidade, dor ao deglutir e linfadenopatia regional que perdura por 48 horas aproximadamente. O quadro local tem início por inflamação gengival, com edema, eritema e dor que precede a formação de vesículas, inicialmente na própria gengiva e depois se estende para a língua, palato, mucosa jugal, orofaringe e região peri-bucal. As vesículas se rompem rapidamente deixando no local úlceras rasas com halo eritematoso e fundo amarelo acinzentado as quais cicatrizam espontaneamente sem deixar cicatriz. O quadro clínico é auto- limitante e dura em torno de 7, 14 até 21 dias. O tratamento instituído deve ser apenas sintomático e de suporte. Caso a criança apresente quadro associado de desidratação, pela ocorrência de vômitos e diarréia, há que se considerar, juntamente com o pediatra, a possibilidade de intervenção mais invasiva.
Independente da forma de resposta clínica frente a primo-infecção, os vírus remanescentes tornam-se atenuados e permanecem latentes no interior das células do gânglio nervoso da região.
Estima-se que a maioria da população adulta seja soropositiva para o VHS e que uma parcela significativa desta pode apresentar, diante de situações favoráveis, manifestações recorrentes da doença. Assim, todo o estado de imunossupressão favoreceria a reativação viral e a sua replicação e conseqüentemente a ocorrência de novas lesões. Dentre as situações que diminuem a resistência local ou geral incluem-se a exposição à luz solar, trauma mecânico, menstruação, estresse emocional, medicamentos e doenças hipoimunitárias associadas. Este novo episódio é denominado de herpes simples recorrente e tem início com uma sensação pruriginosa e de tensão no local, onde após 12 a 24 horas ocorrerá a formação de vesículas acompanhadas de intensa sintomatologia. Esta forma recorrente geralmente não ocasiona alterações sistêmicas significativas, o quadro é particularmente localizado envolvendo na maioria das vezes a região extra-bucal, afetando particularmente o vermelhão dos lábios, a pele dos lábios, pode atingir ainda a pele do queixo, nariz e bochechas. A linfadenopatia do tipo inflamatório geralmente está presente. Quando a mucosa bucal é acometida, as lesões mostram preferência pela gengiva e palato. As vesículas perduram por um período de 1 a 3 dias, quando rompem-se deixando no local úlceras que posteriormente são recobertas por crostas, no caso das lesões externas, e cicatrizam-se espontaneamente decorridos 7 a 14 dias sem deixar seqüelas. Inúmeras modalidades terapêuticas têm sido testadas no decorrer dos tempos para os casos de herpes simples recorrente, sem uma efetividade que poderia avalizar a sua indicação para a população em geral.
Particularmente tem-se tido bons resultados com o uso de aciclovir creme, para os casos de lesões labiais recorrentes de pequena a moderada intensidade. O uso de aciclovir sob a forma de comprimidos (200mg, 6 vezes ao dia) deve ser reservado para os casos mais graves (considerando também o custo alto deste medicamento). Importante salientar que o início desta terapêutica com aciclovir deve ser instituída na fase pruriginosa e ser mantida até a remissão total dos sinais e sintomas clínicos, que como foi visto dura em média 7 a 14 dias.
Outra opção terapêutica que tem se mostrado bastante eficiente para os casos de herpes é o uso do LASER terapêutico (baixa intensidade de potência). O LASER atua como antinflamatório e analgésico, estas propriedades somadas ao seu poder bioestimulante diminuem o desconforto logo após a primeira aplicação e aceleram a reparação.
O bom senso clínico determina que para prevenir a ocorrência das lesões, inicialmente seja instituído, junto ao paciente, um trabalho de orientação quanto à participação dos agentes desencadeantes. Identificar tais fatores e evitá-los, se possível, com certeza diminuirá a freqüência das recorrências.
Herpes tem controle, procure seu Dentista.
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